A trama começa onde Modern Warfare 2 terminou. Para quem não jogou o game anterior, não faz diferença, porque tudo acontece tão rápido, com cutscenes tão curtas e tantas trocas de cenário e de personagens jogáveis que nem dá para prestar atenção direito. Tudo começa a ficar mais claro perto do fim - até lá, nem precisa de muita cutscene para o jogador perceber que as forças de Makarov já dominaram pontos estratégicos dos Estados Unidos lá no começo do jogo e que é a maior curtição jogar com Yuri, escudeiro de um dos informates dele. Trama por trama, prefiro a de Call of Duty: Black Ops (enchi a bola dele na análise ano passado), mas Modern Warfare 3 nos lembra que quando se trata de Infinity Ward, Call of Duty é ação frenética e ponto final. Cutscenes curtas, sem muita conversa, e tiroteio de sobra em corredores com liberdade limitada e a obrigação de ir sempre em frente.
Agora vamos falar de coisa boa: linearidade. Modern Warfare 3 é um jogo extremamente linear e que causa ira nos tuiteiros fãs de shooters das antigas, em que a graça era procurar o caminho certo, achar keycards e conversar com personagens não jogáveis. O que o primeiro Call of Duty fez foi criar um estilo próprio, copiado por obras-primas como Crysis e por aberrações como Homefront. Quem não gosta, tudo bem, porque até há algumas opções legais de shooters menos lineares por aí. O negócio é que reclamar que CoD é muito afunilado é a mesma coisa que reclamar que Contra II não tem visão isométrica. Dentro do estilo que criou e que se propõe a ser, Call of Duty continua muito bom e fica com sobras na frente de todos os concorrentes.
E um jogo não precisa ser revolucionário para ser bom. Para isto, aliás, basta ser... bom. E Modern Warfare 3 é excelente em todos os aspectos. Curtiu dar uns tiros nos outros CoD? Então vai curtir nesse também, e as únicas novidades, além da continuação da história, obviamente, são as belas sequências de tiroteio em Nova York, na Torre Eiffel e nas ruas de Praga. É mais do mesmo, mas é mais do mesmo, mas tudo feito com cuidado incomparável. Se jogo é para divertir, o novo Modern Warfare cumpriu o objetivo com sobras.
Na dificuldade regular, umas seis horas de jogo são suficientes para dar fim a Modern Warfare 3 - no Veteran, a coisa complica e você vai morrer muito (vai se sentir como um dos soldados inimigos, que morrem com uns três tiros), fazendo a campanha demorar talvez umas duas ou três horas a mais. Vale a pena tentar porque a campanha é gostosa de jogar. Depois, é partir para o modo Spec Ops, que volta com as tradicionais missões baseadas nos próprios cenários do jogo, além do Survival.
O Survival funciona como o modo Horda de Gears of War 3, em que o jogador enfrenta ondas de soldados e veículos. Conforme vai acabando com as ondas e juntando dinheiro, o jogador pode comprar armas melhores e até chamar as já manjadas ajudas de helicóptero e tal. A dificuldade começa a ficar meio absurda nas últimas fases (em algumas eu sofri para chegar na onda 10...), mas a diversão é garantida, principalmente no modo cooperativo, que funciona até em tela dividida. A jogabilidade e o esquema de compra de armas são tão bem montados e funcionam tão bem que não dá vontade de parar de jogar até destravar tudo. É legal chegar na onda 20, morrer e sair feliz porque pelo menos deu para juntar um XP a mais. E começar tudo de novo, claro.
De resto, o multiplayer normal, competitivo, que conta com o tradicional sistema de evolução por pontos de experiência, perks, novatos que ficam camperando e tudo mais que a gente já conhece dos outros Call of Duty. Quer dizer, quem não curtia, vai continuar não curtindo, tampouco vai se sentir atraído desta vez, porque novidade dentro do jogo mesmo, não há nenhuma perceptível. A novidade é o Call of Duty Elite, aplicativo que reúne as estatísticas do jogador e permite a criação de clãs e organização de partidas. Há uma opção gratuita, com menos funcionalidades, e uma completa, que custa US$ 49,99 e dá direito ao download de todos os DLCs durante um ano.
Mas nem precisava disso: do jeito que veio, Call of Duty: Modern Warfare 3 é espetacular. A campanha é divertida e não fica chata em momento algum, apesar da sensação de que todas as cenas cinematográficas ficaram na primeira metade do jogo, e toda as sequências de ação incessante ficaram na segunda metade. Como já virou tradição sair um Call of Duty por ano, quem gosta da franquia não precisa ter dúvida e ir atrás de Modern Warfare 3. É mais do mesmo, mas com qualidade bem acima da média.
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